Entre queijos e vinhos

Parece até nome de música baranga e, na prática, é meio que isso mesmo. Todo mundo sabe que eu gosto de queijo mais do que da minha mãe de chocolate, mas desde antes de vinho virar moda eu já tava meio irritado com tanta plaquinha e panfleto de “queijos e vinhos”. Aí passei um tempo – uns anos – pensando no assunto, donde essa nuvem cinza de texto aqui embaixo:

Então, as plaquinhas e convites eram pra essas maravilhosamente decadentes noitadas em que toneladas de cubinhos brancos e facas sujas de mofo azul se misturam às taças de brancos e tintos, mas especialmente tintos, mas o que eu não sei é de onde é que veio que as coisas combinam assim desse jeito. Bom, “não sei” é modo de dizer: é claro que queijo é tradicionalmente servido com vinho, e mais ainda nos vários lugares onde ambos são produtos tradicionais. SÓ QUE não é só jogar queijo com vinho e tudo bem, né.

Com isso nem quero dizer que pra ser queijo-e-vinho tem que ser queijo-caro-e-vinho-caro, nem tipos escabrosos de queijo exclusivos de cantões suíços com vinhos de uvas desconhecidas. É que, bem, na prática, de verdade mesmo, não é óbvio que tudo vai bem quando se trata desses dois. Todo produtor ou distribuidor com um departamento de marketing, qualquer livreto de “Harmonização Prática” e qualquer outra forma de sugerir acompanhamentos pra vinho da maneira mais quadradinha e metódica possível vai dizer uma coisa do tipo “Este delicioso Cabernet frutado acompanha bem carnes assadas e queijos” ou “Chardonnay untuoso e levemente amadeirado, ideal para pescados assados e queijos” ou ainda “Experimente combinar com uma tábua de queijos ou um prato de massa”. Correndo o risco de dar um tiro no meu pé: na melhor das hipóteses, isso é simplificar demais as coisas. Na pior, é pilantragem.

O “harmonizar” técnico, semi-utópico de que os profissionais falam, quer dizer fazer encaixar e somar sutilezas do vinho e do prato que não é possível conseguir sem experimentar, tanto vinho, quanto prato e, especialmente, os dois juntos. Dá pra ter noções gerais? Dá. Dá, até mesmo, pra generalizar bastante (e é o que fazemos, eu e quase todos os outros, quando somos consultados rapidamente sobre o que combinar com aquele vinho ou este prato). Aí propomos coisas que não há como garantir que vão funcionar, mas que têm alguma chance de, ao menos, não se atrapalharem. E as pessoas espertas, as interessadas, sem dúvida vão fazer os testes, vão observar e, quem sabe, vão decidir por si mesmas.

O problema está mesmo é aí: nos falta auto-crítica, nos falta confiança e consciência do gosto, do gosto próprio, quase estético, não do paladar fisiológico – embora até neste ponto as pessoas estejam esquecendo como fazer. É a base do Connaisseur Acidental, do Lawrence Osborne: “daí, um palpitezinho sinistro vem se insinuar na minha cabeça quando estou bebendo vinho: não confio no meu próprio gosto.”

É um pouco difícil poder colocar na prática experimentos de harmonização: precisamos tempo, atenção e, sem dúvida nenhuma, amostras. E, puxa, amostra de comida não é fácil de analisar – tem que mastigar e engolir, e embora pareça piada e soe ridículo, isso enche. Enche a pança, não tanto a paciência, obviamente. Mas também precisamos de amostras de vinho e precisamos que sejam variadas e que haja outras pessoas dispostas a testar com alguma atenção: é fácil conseguir quem queira comer e beber – conseguir gente pra provar, por outro lado, é uma bomba.

Quanto aos queijos, na minha opinião, a imensa maioria funciona mesmo é com os vinhos brancos. Aqueles que funcionam bem com os tintos, até agora, só me mostraram “acompanhar”: ainda não tive nenhuma experiência mística combinando tinto e queijo. Se alguém aí quiser provar junto pra achar, é só me convidar – se tem quejim, môss, eu vô feliz dimais.

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Dois, ou dez anos depois

É um pouco triste notar que já se vão praticamente dois anos desde a última rabiscagem neste bloqueto digital que completou em janeiro DEZ anos. É um bocado de tempo no mundo virtual e, mesmo se agora faz um tempinho que não tem movimento por aqui (às vezes, a vida atropela a gente, ou a gente atropela a vida, sei lá), deu pra testemunhar e participar de muita mudança: da pré-história inocente dos blogs que analisavam cada Gato Negro destapado até a boçalidade dos Vivinos da vida,  passando pelo boom do mercado do vinho que trouxe um pouco de tudo… Leia mais...

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Bibliografia 5 – Livros Específicos: Degustação e Variedades

Leu o que veio antes? Em frente com esse bloco gigante que trata de bibliografia. Neste post, os melhores livros para aprender sobre degustação e variedades de uva.

Falar de degustação e não falar de variedades não cola. As duas coisas andam meio juntas, porque embora haja infinitos fatores que influenciam o estilo e a qualidade dos vinhos, a variedade é fundamental. Aprender a degustar demanda aprender sobre variedades e vice-versa, então…

Essential Wine Tasting
Michael Schuster

Foi com uma cópia em p&b emprestada deste aqui… Leia mais...

Projeto WSET Diploma – Bibliografia Parte 4: Websites

Leu o que veio antes? E dá-lhe fontes de estudo sobre o WSET Diploma, agora com a primeira parte sobre o material que a internet pode oferecer. Ainda vêm: sites e livros sobre temas específicos e blogs.

A internet, minha gente, ela é linda. E cruel. A quantidade de conteúdo é inacreditavelmente grande, não para de crescer e requer sérios filtros. É difícil gerar conteúdo relevante nesse mundaréu movido a leituras rápidas e curtas. Então aí vão minhas escolhas de sites generalistas – onde encontrar um pouquinho de tudo do mundo do vinho, com… Leia mais...

Projeto WSET Diploma – Bibliografia Parte 3: Revistas

Leu o que veio antes? Em frente com a bibliografia para o Diploma do WSET!  Aqui uma análise das principais revistas do mercado internacional (são muitas!). Ainda vêm: sites e livros sobre temas específicos.

Sim, as revistas. As boas revistas. Elas são lindas. São tentadoras. Têm artigos muitas vezes incomparáveis. E, sinceramente, talvez valha poupar a grana da assinatura. A menos que você catalogue cuidadosamente cada edição (indicando em um aplicativo ou planilha excel o número, o assunto, as palavras-chave, etc.) e depois volte lá para

Projeto WSET Diploma – Bibliografia Parte 2: Semi-oficial

Leu o que veio antes? Aqui vamos seguir analisando uma bibliografia recomendada para os estudos do Diploma in Wines and Spirits do WSET. Esta seção, no entanto, já serve bastante bem para qualquer pessoa com interesse em aprofundar-se no mundo dos vinhos. Ainda virão: mais livros, revistas, sites. 

Um aspirante a candidato me escreveu uma vez perguntando se eu conhecia alguém que tinha os “livros” do Diploma usados para venda – com livros ele quis dizer os “study guides”, apostilas com conteúdo resumido… Leia mais...

Projeto WSET Diploma – Bibliografia – Parte 1: Oficial

Leu o que veio antes? Este post faz parte de uma análise do Diploma in Wines and Spirits da instituição inglesa WSET e é a primeira parte que trata da bibliografia disponível para candidatos à qualificação. Há mais por vir, analisando livros, sites e revistas para estudantes de vinho de qualquer tribo.

Wine books can be expensive, difficult to get hold and can quickly become out of date. Students should not feel obliged to spend time and money tracking them down.”

Projeto WSET Diploma – Outras pessoas no Brasil

Leu o que veio antes? Se animou e está decidido a estudar? Aí embaixo umas dicas de quem procurar pra compartilhar garrafas e informações, tirar dúvidas e ouvir opiniões e experiências diferentes das minhas. Em breve sai um lote gigante de sugestões bibliográficas pra dar uma mãozinha nos estudos.

Neste momento há pelo menos 20, talvez mais de 30 brasileiros estudando o Diploma além de uns 3 ou 4 que estão nos finalmentes e muitos outros que, talvez como você, estejam se preparando para… Leia mais...

Projeto WSET Diploma – Duração e tempo de dedicação

Leu o que veio antesVamos ver o que é preciso em termos de dedicação e preparo e um pouco do que cada prova demanda. No próximo post, com quem você deve falar pra facilitar seu trabalho se você mora no Brasil.

A priori, não há um tempo mínimo de permanência no curso. O processo está pensado para ser desenvolvido ao longo de 2 a 3 anos, mas se você for capaz de se preparar e superar os exames rapidamente, melhor!

Basta… Leia mais...

Projeto WSET Diploma – Como Funciona?

Leu a introdução? E a primeira parte?

Vamos ver aqui os formatos de estudo, como se inscrever e o que esperar em linhas gerais. No próximo post veremos mais detalhes sobre a estrutura de examinação e o tempo a se dedicar.

A preparação para o Diploma é fascinante, mas exige bastante esforço. Quem superou outras qualificações do WSET já tem alguma noção da estrutura e formato, além do método de estudos e degustação mas ainda assim irá se defrontar com um… Leia mais...