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Beber ou Degustar

Written by

Beda

Nos dez excepcionais dias em que estive no Chile no último ano, uma das experiências mais marcantes que tive foi a convivência com um conjunto de enólogos jovens, estudantes da pós-graduação em Enologia da “Universidad de Chile”.

Todos muitos dispostos a um bom debate, simpáticos e cada um com uma carga de experiência enológica completamente diferente da do outro, portavam todos, uns mais outros menos, uma peculiaridade que me chamou muito a atenção.

Com este grupo de enólogos visitei dois diferentes eventos de vinho, em que muitas amostras estavam disponíveis para prova. Ávidos por experimentar coisas novas e descobrir o que os produtores estavam conseguindo em diferentes regiões, fomos ao ataque de taça em punho: prova após prova, vinhos analisados quase mecânicamente.

Maravilhei-me: treinados exaustivamente para detectar os defeitos dos vinhos que estavam elaborando, meus companheiros debatiam em quantas gramas de açúcar residual o vinho se excedia, se a maciez era glicerina, qual o pH daquele vinho e inúmeras outras questões físico-químicas.

O momento da verdade chegou em um restaurante modernoso num bairro residencial de Santiago. Na hora de jantar, para comer algo gostoso, minha companhia enológica não só não pede vinho, como, ao provar o meu, não consegue desligar seu analisador químico biológico. Em suma: não pára de degustar, não se deleita com o mesmo vinho que faz.

Certamente esse pode ser um caso em particular e, na verdade, imagino que a (relativa) pouca experiência do grupo de jovens enólogos os impeça de fazer mais do que o exercício de análise a que estão condicionados. A questão, porém, vem à tona: beber ou degustar?

CONTINUA…

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