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Sobre Tampas e Roscas

Devido à absoluta falta de produção durante o mês de abril, seguem textos elaborados para o site do enófilo Gerson Lopes. Quem sabe em Maio não teremos novidades…

Uma das maiores polêmicas do mundo viti-vinícola, a tampa de rosca ou screwcap, em inglês, está invadindo nossas casas (ou adegas, seria melhor). Produtores de todo o mundo, desde os pioneiros neo-zelandeses e australianos até os tradicionalistas franceses estão substituindo por experimentação, plena confiança ou resignação, suas tradicionais rolhas de cortiça pelas tampinhas metálicas de girar.

Robert Parker, o mais renomado guru dos vinhos em todo o mundo, não deixou passar em branco quando fez suas “12 predições sobre mudanças sísmicas que influenciarão a forma como compramos, o que compramos e quanto pagamos” em vinho, na revista americana Food and Wine. Segundo ele “vinhos engarrafados com rolhas serão minoria em 2015”, pois mais e mais vinícolas de todos os níveis estão mudando para as roscas os vinhos a serem consumidos entre 3 e 4 anos (cerca de 95% por cento dos vinhos do mundo).

O chefe de adega Michael Kerrigan se surpreende com a resistência de parte do público em entrevista à Liquor Watch da Austrália: “É estranho que exista, uma vez que algumas das mais caras bebidas alcóolicas do mundo (single malts, etc.) são fechadas com rosca e têm total aceitação do mercado”.

O que as tampas de rosca possuem de tão importante que tantos produtores optam por substituir o charme das antigas rolhas por tampinhas metálicas?

1. Em primeiro, e mais importante, lugar: elas não afetam o vinho.

As rolhas, elaboradas com a casca do sobreiro, estão sujeitas a fungos e contaminações que podem modificar diretamente o vinho.

2. Não estão sujeitas a movimento.

Por serem seladas com alta-pressão, mudanças de temperatura e pressão interna da garrafa não podem permitir a entrada de oxigênio nas garrafas, como podem quando são suficientes para movimentar as rolhas.

3. O isolamento é completo, impedindo a oxidação prematura do vinho.

 

 

De forma que podemos esperar de cada garrafa exatamente o que se declara dela, sem variações abruptas de características e de qualidade.

Sem dúvida nenhuma o vinho está imageticamente relacionado às rolhas de cortiça e aos saca-rolhas, ao ritual do corte das cápsulas e ao trabalhoso (e às vezes cansativo) esforço de se retirar a rolha. Não teremos, porém, escapatória: cada vez mais vinhos, de diferentes níveis de qualidade utilizarão as novas, seguras, mas menos estéticas tampas de rosca.

A Screwcap Initiative, grupo neo-zelandês de viti-vinicultores que difunde a utilização da tampa de rosca, possui um completo site com todas as informações necessárias sobre o funcionamento e utilização das tampas de rosca.

  1. Gourmandise
    15 de January, 2008 at 15:26 | #1

    Um assunto polêmico. Já procurei o saca-rolha com uma garrafa lacrada com screwcap.abs.

  2. Beda
    15 de January, 2008 at 15:49 | #2

    Bastante polêmico, mas cada vez mais claro e objetivo: a rolha está fadada a tornar-se objeto de fetiche…

  3. Roberto
    21 de January, 2009 at 15:21 | #3

    Gostaria de saber onde encontro para comprar tampas de pressão para garrafas de licor.

    • 23 de January, 2009 at 17:20 | #4

      Se alguém tiver uma sugestão para o Roberto…

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