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Vinho e Movimento

November 1st, 2007 Rabiscaí! Checa os rabiscos.
Leia a introdução deste artigo em “Matt Kramer e o Armazenamento de Vinhos

O segundo aspecto analisado por Matt Kramer em seu livro “Making Sense of Wine” – que, vocês já sabem, foi lançado no Brasil há pouco – é o movimento. Todo mundo já leu, ouviu, viu, que a adega ou o lugar onde o vinho vai ficar guardado tem de ser também “tranqüilo”. As vibrações, segundo os especialistas, são maléficas para o vinho e aceleram seu envelhecimento.Kramer começa contando a história de um comerciante de vinhos de Bordeaux, Edouard Kressmann. O pai de Kressmann pensou ter descoberto um paralelo entre a amplitude da onda da vibração e o quanto a mesma é capaz de acelerar o envelhecimento do vinho e “inventou” um método que ele chamou de “envelhecimento por concussão”. O tal método consistia em fazer seu filho Edouard espancar repetidamente uma espécie de cone de bronze preenchido com vinho, com o único resultado, é claro, de exaurir o rapaz e talvez gerar-lhe umas dores musculares.

Outra história contada no livro fala do moleiro que, não tendo vinho no ponto de amadurecimento para o casamento da filha, teve a seguinte (e fabulosa) idéia: amarrar seus barris nas pás do moinho para que este, girando, acelerasse o desenvolvimento da bebida. Sem dúvida o que ele conseguiria de mais relevante seria cozinhar seu vinho no calor…De acordo com os experimentos do Dr. Singleton, da universidade de Davis, na Califórnia, as vibrações comuns em nosso dia-a-dia são insuficientes para gerar qualquer tipo de defeito em um vinho. Para que a vibração torne-se algo danoso, é necessário que esta seja intensa e constante, de modo a afinar continuamente uma eventual borra, tornando-a tão fina que seja incapaz de assentar-se, o que mantém o vinho constantemente turvo e influencia seus sabores.

Portanto, a vibração gerada por carros na rua, passos no assoalho e aparelhos de ar-condicionado, fica descartada como fator de agressão ao vinho.
Por outro lado, diz o doutor, movimentar as garrafas pode ser altamente arriscado: transportar o vinho de um lugar a outro quer dizer, quase sempre, expô-lo a condições altamente prejudiciais à sua qualidade.

Apesar de movimentos bruscos também serem potenciais “contaminadores” do vinho fazendo levantar as borras o que, especialmente em vinhos mais velhos e delicados, pode ser um problema difícil de resolver, as condições a que se refere o Dr. Singleton são outras: normalmente, quando em viagem, as garrafas são expostas a temperaturas elevadas, essas sim efetivamente inimigas da vida do vinho.

O próximo trecho trata justamente de como o vinho se comporta sob influência de diferentes temperaturas.

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