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Vinho sem (muito) mistério – e em Português

November 1st, 2007 Rabiscaí! Checa os rabiscos.

Desde que encontrei numa pilha no escritório em que trabalhava em Belo Horizonte uma velha cópia re-encadernada do livro “Making Sense of Wine”, de Matt Kramer, ele tornou-se basicamente o meu livro-referência de vinho.

Citei-o algumas vezes nos meus textos e está em andamento uma seqüência totalmente baseada nos artigos de Kramer sobre o armazenamento do vinho. A desenvoltura com que ele fala dos assuntos mais cabeludos, mais debatidos e mais controversos me prendeu ao livro e me fez sentir livre de algumas amarras que o primeiro impacto do mundo do vinho freqüentemente impõem.Fiquei bastante feliz quando adquiri uma cópia re-editada e atualizada há pouco tempo via Amazon.com – a minha mais forte aliada na luta contra a sobrecarga de preços dos livros importados nas livrarias nacionais – mas me deixou ainda mais feliz ver que o mercado editorial brasileiro está investindo em livros de alta qualidade técnica para um dos públicos (embora restrito) mais exigentes do mundo no quesito conhecimento enológico: dois dos mais importantes autores de vinho acabam de entrar para o rol dos que poderão ser encontrados nas nossas prateleiras e o que é melhor – e indispensável para muitos – em bom português:

O primeiro deles, é claro, é Kramer. Com o nome de “Os Sentidos do Vinho“, a editora Conrad traz para nós um “manual de libertação das amarras”, um verdadeiro derrubador de mitos. O livro está sendo vendido nas livrarias por acessíveis R$43,00 – embora eu deva fazer notar que o original em inglês, comprado novo pelo site americano, com o frete e o atual câmbio, saia por menos de R$40,00.

O segundo livro, na verdade, tem seu lançamento previsto para Setembro de 2008 no Brasil, mas já deve ser comemorado como conquista brazuca: a editora Nova Fronteira comprou os direitos de publicação do indispensável Atlas Mundial do Vinho, de Hugh Johnson e Jancis Robinson. Completamente revisto e ampliado, dando mais destaque às regiões produtoras em ascenção (entenda-se em particular Argentina, Chile, e China, entre outras), o Atlas chega à sexta edição trazendo a feliz notícia para os eno-cartófilos nacionais.

Restam, porém, um e outro livro fundamental que eu gostaria muito de ver na prateleira. Seguem as minhas sugestões:

  • A História do Vinho, de Hugh Johnson – foi publicado pela Companhia das Letras, esgotou e não houve re-edição recente… Porque será?
  • Adventures on the Wine Route, de Kermit Lynch – considerado leitura obrigatória no meio, é uma espécie de “On the Road” enológico que conta as viagens do primeiro importador de vinhos moderno norte-americano pela França.
  • Questions of Taste – Philosophy of Wine, de vários autores – recém-lançado lá fora. Estou aguardando minha cópia, então ainda não posso dizer muito. Porém, o livro trata justamente de algumas das questões mais polêmicas (gosto, notas, preços) e alguns dos aspectos mais intimidantes do vinho (a descrição das características, os aromas, a percepção da bebida).
  • O Gosto do Vinho, de Émile Peynaud – O professor Peynaud talvez seja o maior contribuinte contemporâneo para o desenvolvimento das técnicas de produção de vinho. Seu livro de prova, muito técnico, existiu em português em edição lusa, hoje também esgotada.
  • Teoria e Prática da Degustação dos Vinhos, de Giancarlo Bossi – renomado degustador e autor italiano, chegou a ter seu livro traduzido e publicado no Brasil na década passada. Nadica de nada nas lojas hoje.
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