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Um País de Países

A Espanha é freqüentemente exaltada como o país do presente e do futuro do vinho. Com a maior área sob vinhedos do mundo e a terceira maior produção, usufrui mais que qualquer outro país das reviravoltas tecnológicas e culturais do vinho nas duas ou três últimas décadas: um salto de qualidade imenso, muito investimento de enólogos e produtores extremamente empreendedores e a boa estrela de ter encantado os principais especialistas do mercado internacional com seus grandes vinhos colocaram o país na “ponta-cortante” da viti-vinicultura mundial.

Por outro lado a Espanha é conhecida também pela dificuldade de emplacar com o grande público. Seus vinhos atraentes, ricamente aromáticos e raramente desinteressantes encontram-se em todos os estilos, desde os refrescantes brancos de Albariño, passando por Jovenes frutados até Gran Reservas austeros à moda antiga, mas os preços não costumam ser estimulantes e, acima de tudo, há pouco ou nenhum movimento de divulgação por parte das autoridades espanholas.

Há quem diga que a grande diversidade e a maior ainda disparidade culturais – os catalães não conversam com os manchegos, que não falam com os bascos, que nem se consideram espanhóis e por aí vai – sejam as principais responsáveis pela falta de tato em fazer chegar estes vinhos ao grande público, deixando nas mãos de alguns produtores com pendão marketeiro quase qualquer difusão da cultura do vinho espânico (vide Osborne, Tio Pepe – que não está nas mãos de espanhóis – e Codorniú).

ViniPortugal MarketingHarpers, a mega-central de notícias inglesa da indústria do vinho, acaba de anunciar uma discreta iniciativa em direção ao que pode se tornar um pioneirismo de relevância para a enologia do país, embora por enquanto somente para o mercado londrino: a criação e difusão de uma campanha padronizada elaborada pelo Consejo Regulador DOC Rioja, o órgão que conduz e regulariza a produção na região, com direito a logotipo modernoso e eventos em Londres para levar ao público o que eles vêm produzindo de melhor.

Similar à intensa – e bem sucedida – campanha que a ViniPortugal vem desenvolvendo em todo o mundo – com ênfase no Brasil e EUA -, a versão riojana contará com propagandas na mídia a partir do segundo semestre e já possui um site acessível e educativo (atualmente, só em inglês) que explica como se classificam oficialmente os vinhos na região, onde comprar, onde beber quando for comer, o melhor de tudo, sugestões de receitas regionais para combinar com alguns vinhos!

Enquanto isso, o órgão “oficial” do governo espanhol para o vinho, “Vinos de España“, mantido pelo Instituto Espanhol de Comércio Exterior, continua meio apagadinho…

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