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Cerveja, vinho e comida – A Revelação

Alguns de vocês sabem da minha resistência à cerveja. Ou seja (sem trocadilhos), da minha resistência a BEBER cerveja. Sofro do mal-do-pandu-cheio, que é uma doença idiosincrática conflitante com o consumo da cerveja: após o primeiro copo o líquido se solidifica e incha, tornando-se uma verdadeira massa de pão mal-assado na minha barriga. Una-se a isto o sabor residual que me desagrada e a tendência das pessoas a consumir água-rala-amarga-e-mal-cheirosa nas esquinas e churrascos e é possível entender porque costumo evitar a dita-cuja.

Nesta semana, porém, fui convidado a participar de uma degustação singular e especial: inspirada no livro “He said beer, she said wine” da editora Dorling Kindersley, a reunião propunha-se a comparar as possibilidades de harmonização de 6 pratos com vinhos e cervejas e decidir qual se saía melhor. As cervejas foram selecionadas pelo expert Cássio Piccolo, que, acompanhado pelos “defensores da cerveja” André Clemente e Edu Passarelli, iria dar a opinião do cervejólogo/filo enquanto que Jorge Lucki ficou responsável pela escolha dos vinhos e foi acompanhado por mim e por Ricardo Castilho representando os enologistas/filos. Os pratos ficaram por conta do chef Rodrigo Martins, da loja Vino! de São Paulo e foram um espetáculo à parte.

Garfos e taças em punho, fomos a eles: a cada prato, uma cerveja e um vinho eram sugeridos como harmonização e avaliamos as combinações de textura e sabores de cada um deles, com muitas surpresas pelo menos para parte de nós. De fato, se excluirmos a sobremesa, na minha avaliação somente com um único prato a combinação atingiu o ponto ápice, o encontro entre comida e bebida a que se atribui oficialmente o título de “Harmonização” (com H maiúsculo): uma Polenta com Ragu de Ossobuco que ganhou infinitamente em sabor e casou-se perfeitamente com a textura cremosa, o adocicado e o amargor da – atenção – cerveja Maredsous 8.

A experimentação, para mim, foi de grande valia: confabulando com os comensais, questionando, contrapondo opiniões e avaliações, comecei a abrir espaço mental (e fisiológico) para a futura entrada de um golinho de cerveja aqui e ali e, em especial, para um belo copo selecionado de acordo com a comida e a ocasião. Edu Passarelli foi o grande pivô dessa abertura, com argumentos que, se minha preguiça, meu preconceito e minha aversão gratuita à cerveja tivessem permitido, eu mesmo poderia ter utilizado: não é necessário beber cerveja em doses cavalares e não é o caso de colocar em comparação as “cervejas” amplamente disponíveis no mercado com “Cervejas” artesanais e produzidas com alta qualidade.

Vamos ver o que o futuro reserva e quantas vezes ainda vou ouvir “Mas você não disse que não bebia cerveja?”

 

  1. Cláudia
    25 de July, 2008 at 11:50 | #1

    Bê, eu tb sofro do mal-do-pandu-cheio! Uso, inclusive, como técnica para emagrecer, acredita? Se quero perder uns quilinhos, é só tomar um copo de cerveja uns minutos antes da refeição… Mas adoro cerveja! Menos em grandes quantidades. E fico feliz que vc esteja incluindo mais este prazer na sua vida.

  2. 28 de July, 2008 at 18:48 | #2

    Aqui e ali eu até tomo um pouquinho, quando a circunstância torna tudo inevitável… (num pub em Londres não dá pra não tomar um pint, né?)

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