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Borgonha

September 10th, 2008 Rabiscaí! Checa os rabiscos.

Num mês de excepcionais oportunidades de degustação, não posso deixar de mencionar uma aula especial – com prova – conduzida pelo especialista Jorge Lucki em São Paulo. Lucki é famoso por seu conhecimento da Borgonha (região que ele visita pelo menos uma vez anualmente, há 17 (é isso mesmo?) anos e por sua capacidade didática e a aula não ficou por menos: tivemos um belo overview sobre as características gerais da região e uma degustação única, com direito a um vinho de 30 anos.

A Borgonha é uma das regiões vinícolas mais renomadas, valorizadas e elitizadas do mundo: há cerca de 1000 anos sua produção vem sendo “refinada” e pode-se dizer que os borgonheses são os verdadeiros guardiães do terroir. O conceito de terroir, tão polêmico e debatido, freqüentemente refutado, diz respeito à verdadeira origem do vinho: os infinitos fatores que circundam a videira e influenciam de maneira única o resultado final. Na Borgonha este conceito é levado ao extremo e a origem precisa do vinho faz toda a diferença: pequenos vinhedos (como o famoso monopólio Romanée Conti – de 0,8 hectares) se destacam há séculos pelas características marcantes de seus vinhos.

Os longos anos de experimentação permitiram que os vinhedos fossem delineados de acordo com as características dos vinhos resultantes. Paciência monástica (de verdade, já que a maioria dos vinhedos foi estabelecida por monges cistercienses) e narizes apurados mostraram que as sutilezas do solo, as inclinações e as diferenças na exposição solar dos cerca de 200 quilômetros de encostas se transubstanciassem em mais de 100 Denominações de Origem diferentes que indicam a área geográfica e o nível hierárquico dos vinhedos. Na prática:

  • os vinhos recebem uma denominação de acordo com a origem de suas uvas.
  • os terrenos foram delineados historicamente pela qualidade dos vinhos que produziam. Portanto, o nível de qualidade oficial do vinho depende diretamente da proveniência de suas uvas.
  • os produtores podem misturar livremente as uvas de diferentes origens, o que irá influenciar diretamente no nível de denominação alcançado.

A Borgonha subdivide-se em 5 regiões principais, mais a região-apêndice de Beaujolais:

As 5 principais regiões: Chablis, Côtes de Nuits, Côtes de Beaune, Côte Chalonnaise e Maconnais

O sistema de denominações pode parecer um pouquinho complicado, especialmente com todos os nomes franceses embutidos, mas é mais ou menos assim:

As denominações mais genéricas e amplas cobrem todos os vinhedos da Borgonha. Logo, vinhos produzidos com uvas de qualquer lugar dentro dos limites da região podem se chamar:

  • Bourgogne Rouge e Bourgogne Blanc, desde que produzidos exclusivamente com Pinot Noir, para os tintos e praticamente com exclusividade de Chardonnay, para os brancos;
  • Bourgogne Grande Ordinaire tinto e branco, um vinho simples que pode misturar às duas variedades principais uvas secundárias como César, Tressot e Gamay, para o tinto e Aligoté e Melon de Bourgogne (a mesma Muscadet do Loire);
  • Bourgogne Aligoté, um branco produzido somente com a pouco difundida uva Aligoté, uma parente das Pinots, que tem seu QG hoje em Bouzeron, na Côte Chalonnaise;
  • Bourgogne Passetoutgrains, tintos simples produzidos com Pinot Noir (mínimo de um terço) e Gamay.
  • Bourgogne Rosé ou Clairet, Crémant de Bougogne e Bourgogne Mousseux indicam, respectivamente, os vinhos rosés produzidos normalmente a partir da sangria de tintos básicos, os espumantes brancos e rosés de toda a região e os raros espumantes tintos ainda produzidos.

Em seguida, as denominações mais específicas.

  1. 21 de January, 2010 at 22:23 | #1

    Bernardo,

    Estive na Borgonha no segundo semestre de 2009. Fui conhecer algumas vinicolas que já havia provado seus vinhos e outras. Tive a imensa sorte de conhecer um produtor que chamamos aqui de "garagem". Coloquei no blog http://confraria2panas.sosblog.com/

    abraço,
    Evandro

    • 22 de January, 2010 at 14:05 | #2

      Evandro,

      obrigado pela visita. Vou dar um pulinho lá e ler sobre a sua passagem pela Borgonha.

      Abraço!

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