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Sprechen sie wein?

Depois de quatro dias de Alemanha eu já tinha uma caderneta de notas preenchida por inteiro, dentes já doloridos, sono completamente desritmado e ainda três dias de feira pela frente (antes de seguir com viagens e degustações). Nada como provas in loco e gente disposta a fazer de tudo para promover os vinhos do seu país…

Os alemães são surpreendentemente gentis – bom, os produtores alemães são gentis, pelo menos. É claro que nas ruas se encontra de tudo e, aparentemente, a piada do português que aprendeu matemática faz bastante sentido – os coitados perdem o rumo se, bem, as coisas saem do rumo. No entanto, o país é limpo, organizado, no mínimo civilizado: não se ouve buzina, não há sujeira no chão e qualquer pessoa na rua ao menos tenta se comunicar com você, especialmente se você for educado ao se aproximar.

Somem-se a isso algumas das paisagens vinícolas mais impressionantes do mundo, vinhos de altíssimo nível de qualidade e uma feira internacional e você tem uma das melhores experiências enológicas disponíveis atualmente, com um único senão: die Sprache deutsche. Muitos alemães compreendem um pouco de inglês e todos os do métier falam razoavelmente ao menos inglês, mas o país é seriamente despreparado para receber os turistas. Mesmo em áreas em que obviamente há grande trânsito de estrangeiros – como o aeroporto – a falta de sinalização e de clareza de informações é grave. Desde quando flughafen quer dizer aeroporto? Mesmo se chamasse “aeroporten” tinha que ter um aviaozinho desenhado ao lado de cada placa!

Ainda assim, a cidade de Düsseldorf é impecável. Com uma feira de mais de 3000 expositores e que recebeu cerca de 36.000 visitantes de todo o mundo, não encontrar trânsito, dificuldade para estacionar, filas e confusões comuns em eventos do tipo é reconfortante. Sem mencionar a estrutura física do evento, a organização dos stands e, acima de tudo, a – ao menos aparente – civilidade dos visitantes.

Qualquer um que tenha participado de uma feira de vinhos pode dizer que em poucas horas aquilo se torna um campo de batalha, em que a prova máxima é obter a maior quantidade de álcool do preço mais alto possível em menor tempo. Enquanto isso, na Alemanha, áreas para degustação com garrafas abertas para que cada um se sirva acompanhadas de fichas técnicas dos vinhos ocupam os visitantes que querem fazer provas enquanto os stands podem ficar livres para as negociações e encontros comerciais e para as provas mais cuidadosas dos profissionais. Que inveja. Me coço só de pensar no que está por vir em abril.

Degustação self-service e civilidade. Supresas no país dos "bárbaros".

Degustação self-service e civilidade. Supresas no país dos "bárbaros". Foto de Rene Tillmann / Messe Duesseldorf

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