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Em tempos de internet…

September 26th, 2010 Rabiscaí! Checa os rabiscos.

Como as desculpas pelo tempo em silêncio já viraram cabeçalho nesse blog, vou passar a saltar essa etapa e ir direto ao assunto.

Alguns já perceberam que as mudanças ainda estão acontecendo, a começar pela migração para um servidor estrangeiro (o que rendeu uns dias fora do ar, mas libertas quae sera tamen, já não tenho restrições de espaço, tráfego nem domínios e tudo por um terço do preço nacional!) e essa cara branca do blog meio sem cuidado, que é pra dar um tempo antes da aplicação do layout que tá no forno (tô esperando, hein, Rô).

O trabalho tá consumindo horários cada vez menos ortodoxos e os estudos vão se espremendo pra caber nas horas livres, então sobra pouco tempo pro blog, especialmente depois que eu dei início a uma Wiki experimental com o material de estudo e ainda menos depois que chegou meu brinquedinho tecnológico novo, que ainda está em plena fase de testes e experimentações.

Por outro lado, tenho ido mais vezes à pé ao trabalho e isso é ótimo por duas coisas: o corpo faz algum exercício e dá tempo de ouvir algumas coisas especiais da internet sobre vinho.

“Ouvir”?

Ouvir, sim. As mudanças que a Internet trouxeram para a vida quotidiana ainda são difíceis de mensurar, embora sem dúvida haja inúmeros exemplos de como uma rede internacional e amplamente democrática afetou nosso dia-a-dia e até nossa forma de consumir vinho (vide os debates sobre as Redes Sociais em múltiplos sites sobre vinho, em especial Jancisrobinson.com, Catavino.net e, inclusive, aqui mesmo).

Ao mesmo tempo, filtrar o que há de útil e consistente de verdade na rede é um trabalhão que às vezes desanima: fontes ultrapassadas, material científico com acesso restrito, gente que começa a escrever e não acaba (hmm… er…) e, é claro, o sem-fim de blogs e páginas pessoais que brotam como resultado nas buscas do Google e que precisam de uma nova filtragem, uma vez que a maioria se dedica a descrever os rótulos provados e, se muito, a adicionar uma linhazinha sobre alguma técnica de produção particularmente interessante ou uma fofoca sobre o produtor ou importador daquele vinho.

Venho me esforçando por refinar a filtragem no meu computador e a cada vez que algo se destaca vai pra uma das múltiplas listas de “follow” (Twitter, Leitor de RSS, Favoritos do navegador…), para que eu possa tentar acompanhar no futuro. Aqui vai um resuminho do que eu vejo que

O Twitter, ao contrário do que muita gente pensa (e faz, com o seu próprio), não precisa ser um transmissor instantâneo de bobagens e privacidades aleatórias. Há muita informação curta, rápida e interessante disponível e para mim é de longe a melhor forma de compartilhar links soltos, com apenas uma breve indicação do que se trata a página. Os parcos cento-e-poucos que eu “sigo” no Twitter são, quase todos, profissionais e amantes do vinho e da comida que têm o que dizer. Minha lista é bem dinâmica (entra e sai gente a toda hora) e está classificada por “origem” do usuário, assim vocês podem procurar os que interessam aqui.

Blogs, readers, feeds, RSS, que bagunça. Tem blog demais no mundo, ouso dizer, porque é difícil encontrar o que a gente quer ler entre tanto “resultado de procura”. Os meus prediletos vão pro Reader do Google, e os posts mais interessantes eu marco lá com uma estrelinha, para que vocês possam encontrar aqui.

Boa parte do que eu leio em RSS é de sites variados e vale destacar aqui alguns. Na verdade, embora lentamente, eu já venho fazendo isto na seção “Links” aqui do Peripécias, até com uma descriçãozinha do que se trata. O campeão, disparado, é o Jancisrobinson.com, que inclui versões online da bibliografia básica obrigatória do mundo do vinho, os completíssimos Oxford Companion to Wine e The World Atlas of Wine.

Mas bem, voltando à vaca-fria, “ouvir” sim. Há alguns anos atrás a febre do momento (certamente por influência da Apple) eram os Podcasts, coisa a que eu não me havia afeiçoado muito (certamente por influência da Apple). Podcasts são “programas de rádio” gravados e publicados online, sobre absolutamente qualquer assunto e, em se tratando de vinho, me parecem estar drasticamente em falta.

Nos últimos anos, como vimos, venho buscando mais e mais referências de conteúdo adequado aos estudos para o Diploma do WSET e, por coincidência, encontrei em um podcast algo de consistente para que pudesse ouvir nos quarenta minutos de caminhada entre casa e trabalho: um dos poucos programas sobre vinho que se mantêm ativos, com conteúdo de fato interessante e bastante bem apresentado, o UK Wine Show é produzido por um casal inglês que vive de cursos e degustações sobre vinho.

Hippie? Doidão? Provavelmente, mas ele é Doutor em aromas!

Juntos, os dois produzem e publicam semanalmente um programinha de rádio baseado em entrevistas com gente que sabe do que está falando: enólogos, viticultores, importadores, degustadores profissionais e as mais surpreendentes especialidades que podem ser vinculadas ao mundo do vinho aparecem em um ou mais “shows”, trazendo informações atuais, bem fundamentadas e, em geral, com uma boa explanação.

A causa deste post, o UK Wine Show desta semana me parece ter superado qualquer outro em termos de conteúdo e “exoticidade” do entrevistado: Georg Dodd, um especialista em bioquímica com formação e larga atuação em perfumaria, discursa sobre como o nosso sentido de olfato funciona e como fazê-lo funcionar melhor para degustar. Você pode ouví-lo em inglês clicando aqui, enquanto eu preparo um textinho que apresenta o que o doidão (olha a cara do figura, aí do lado) tem pra dizer.

Pra não dizer que não há nada sobre vinhos em vídeo (na verdade há até bastante coisa), uma gravação fresquíssima do nosso já conhecido Richard Hemming, estudante do programa Master of Wine, em uma divertidíssima versão musical enológica que tenta ensinar as diferentes variedades tintas e brancas de todo o mundo.

Imagino que tenha sido divertido arranjar as variedades musicalmente, mas duvido seriamente da utilidade pros estudos…

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