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Praktikum in Württemberg – O começo

Não bastasse a pilha de trabalho acumulando todo dia em São Paulo e a última prova do Diploma do WSET por fazer, aceitei fazer parte do projeto Winexperience, desenvolvido pela associação Generation Riesling em conjunto com o Deutsche Weine Institut porque eu falo alemão, estava entediado e adoro Trollinger fiquei absolutamente maravilhado com os vinhos, as vinícolas e as cidades alemãs na minha visita do ano passado. Eu queria mesmo era ir para o Rheingau, ficar num castelo e beber Riesling vendo as loiras passar mas o que eu estive fazendo tá longe disso: foram 10 dias de trabalho pesado em Württemberg, um pouco ao norte da Floresta Negra, no sul da Alemanha, região que tem cerca de 70% de sua produção baseada em variedades tintas e mais poloneses do que loiras passando.

Württemberg é uma das 13 anbaugebiete, regiões delimitadas de produção vinícola, mas faz parte da região administrativa de Baden-Württemberg (Baden integra sua própria anbaugebiet). Os vinhedos se localizam a noroeste do rio Neckar, às margens dos seus tributários e foram quase totalmente reestruturados durante o período de reforma “agrária” da Alemanha, sobrando poucos deles ainda nos tradicionais terraços, difíceis de serem trabalhados.

A reforma, conhecida como flürbereinigung (literalmente, reestruturação), objetivava devolver um pouco de ordem aos muito fragmentados vinhedos alemães e torná-los mais trabalháveis e viáveis financeiramente: entre o fim da década de 60 e o princípio da de 80, uma reforma física dos vinhedos e até mesmo uma realocação de terras tomou lugar em quase todo o país.

O estágio, ou praktikum, em alemão, aconteceu na Weingut Sonnenhof, vinícola que se tornou uma referência na região a partir de década de 70, quando Albrecht Fischer e seu cunhado Helmut Bezner receberam as terras das mãos de seus pais e decidiram unir suas produções, à época com 70 hectares de terras cultivadas e criação de gado e apenas 3 hectares de vinhedos. Hoje, cerca de 30 hectares plantados com mais de 20 variedades diferentes produzem um total de 350.000 garrafas por ano e a vinícola tomou por completo o lugar do cultivo e do gado.

Weingut Sonnenhof, minha casa por 10 dias.

Sonnenhof foca a produção em Riesling (o grande ícone da viticultura e enologia alemã, considerada por muitos a mais nobre uva branca do mundo), Trollinger (uva tinta que faz vinhos quase rosados, leves e simples e que, somente na região de Württemberg, sustenta o 4o lugar entre as mais plantadas de todo o país) e Lemberger, que é para eles a grande uva tinta da Alemanha.

Entre as três variedades está 70% da produção da vinícola, sendo que uma proporção descabida é consumida na própria região: Württemberg detém o mais alto consumo per capita do país, com 35 litros anuais! Não sobra muito vinho pras outras regiões, menos ainda pro resto do mundo, então os vinhos e produtores dali são pouco conhecidos em outros países.

As cooperativas são muito fortes, pois 80% dos produtores possui menos de um hectare – muitos deles trabalhando nos vinhedos somente à noite ou nos finais de semana (com óbvias conseqüências para a qualidade das uvas). No entanto, jovens produtores como Joachim Fischer e seu irmão Martin, que assumiram em 2008 o controle da vinícola, estão à frente de um movimento pela produção de vinhos cristalinos e de alta qualidade.

Aparentemente, a brilhante idéia de receber estrangeiros na vinícola foi de Joachim, já que foi ele quem ficou de babá comigo a maior parte do tempo (Marion, a namorada, deve ter uma opinião sobre o quanto a idéia foi brilhante). Bom, não do tempo de trabalho, na verdade: quem tratou de me ensinar o que fazer a maior parte do tempo foi, pra minha surpresa, um brasileiro: Aparecido Bento da Silva, o Macapá, mudou-se para a Alemanha como jogador de futebol profissional há quase vinte anos e nunca mais saiu de lá. Aprendeu o trabalho de viticultor e ficou por ali mesmo, cuidando dos vinhedos da família Fischer.

Joachim   Martin

Joachim and Martin Fischer, meus anfitriões, posando pra nova brochure da vinícola.

Continua…

  1. 9 de July, 2011 at 12:46 | #1

    Was haben Sie zu sagen auf Die besten Weine im Finale des Winexperience?
    Realmente a Alemanha e’ um pais quase que incomparavel pelo nivel de vida de seus 80+ milhoes de habitantes. E’ de tirar o chapeu. O Brasil seria outro pais se cada politico brasileiro tivesse um consultor alemao.
    Qual a sua opiniao do vinho Alemao de segundo suas identidades regionais? Mosel, Rheingau, Nahe, Rheinhessen, Palz? Voce ja visitou estas regioes? Existem um numero pequeno de produtores alemaes que sao conhecidos internacionalmente. Dentro da Alemanha a realidade e’ outra. As principais regioes vinicolas da Alemanha e’ formada por uma malha de pequenos produtores que por varias geracoes cultivam de 2 a 5 hectarias de vinhedos, produzindo uma media de 40 mil garrafas por ano.
    Zum Wohl!

    • Bernardo
      12 de August, 2011 at 13:35 | #2

      Savio,

      estive no Nahe, em Rheinhessen, em Rheingau, no Mosel e no Ahr no ano passado. Não conheço Pfalz, mas já provei vinhos de lá. De longe, minhas maiores surpresas foram os Pinot de Meyer-Näkel, do Ahr, os vinhos do Keller, do Rheinhessen e os de Dönnhoff, do Nahe. Aliás, gosto muito também dos do Schloss Vollrads. Se te interessar, procure por Alemanha na caixa de busca, tem outros posts sobre as viagens e ainda haverá mais assim que eu conseguir acabar de escrevê-los.

      Abraço e obrigado pela visita,
      Bernardo

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