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Tornando-se um Master of Wine, por Richard Hemming

Richard Hemming formou-se em Letras antes de migrar para o mundo do vinho e trabalhou por quase seis anos na rede inglesa Majestic, antes de tirar um ano inteiro para acompanhar os trabalhos em uma vinícola australiana. Ele completou o Diploma do WSET em 2006 e vem contando suas experiências no mundo do vinho no site de Jancis Robinson, do qual é colaborador assíduo, sob a forma de um diário, ultimamente com foco no programa de formação do Institute of Masters of Wine, do qual é aluno desde 2009.

Richard foi muito gentil em me permitir escolher qual dos seus “Diário de um MW” eu poderia traduzir e publicar e, neste segundo artigo da série “Tornando-se um Master of Wine”, criado a partir do “Diary of an MW – Part 24” ele conta como foram os preparativos nas semanas que antecedem suas provas.

Boa leitura!
Bernardo

EATAPT: Eu agora tenho acrônimos para tudo.

Eles são o resultado das minhas tentativas de formular um sistema para superar o exame de degustação. Até agora, eu adotei uma “tática da escopeta” para as respostas, confiando mais na sorte do que na precisão para conseguir pontos. E isto ficou evidente, desde meu último exame simulado de degustação (durante o seminário de segundo ano de curso, em Bordeaux, sobre o qual você pode ler mais em Diary of an MW Student – part 21) em que tirei menos de 50%, uma miserável reprovação.

Muitos dos pontos perdidos podem ser obtidos através de se lembrar de mencionar simplesmente todas as coisas e é aí que os acrônimos entram, como um pró-memória. Logo, se uma questão pergunta sobre técnicas de produção de um vinho de mesa tranqüilo, então minhas linhas de orientação são Uvas (concentração, amadurecimento, inclusão de engaços) Maceração fria (para brancos fenólicos), Temperatura (de fermentação), Manuseio (oxidativo ou redutivo), Maceração (timing e técnicas, para tintos), Conversão malolática, contato com as Lias e Carvalho – UMafriT-MMCLC.

Talvez não seja uma das palavras mais fáceis de se lembrar. Soa mais como um código de radioamador. Seria muito melhor se tivesse saído como ‘HANSOLO’ ou ‘LAFITESUCKS’, ou algo assim, mas dificilmente minha prioridade no momento é a astúcia. Tenho sete outros acrônimos para me dar um empurrãozinho quando a hora chegar, cobrindo variedades, origens e outras questões comuns nos exames. Para testá-los, estou praticando escrever notas de degustação “secas” (ou seja, sem provar de fato um vinho) sob a “direção” dos acrônimos. Já parece algo mais metódico e abrangente. Eu tenho pela frente um final de semana de simulação de degustações para MW wannabes na Winchester Wine School, quando poderei aplicá-los em condições de exame.

Depois disso, é hora da prova – no momento em que escrevo, daqui a 36 dias. Entre agora e então, tenho que encarar um esforço de memória de mamute. Meus documentos de revisão final compreendem 50 páginas de notas condensadas. São cerca de 18.000 palavras. Ou 585 kilobytes, o que soa bem menos impressionante mas muito mais digno de ser lembrado. Se tal volume de informações pode caber 3,5 milhões de vezes dentro do pequeno laptop em que estou digitando agora, certamente consigo fazer caber tudo uma única vez dentro do meu cérebro, não é?

Em paralelo, vou respondendo questões do exame para manter em forma tanto minhas faculdades discursivas quanto minha mão direita, que por algum motivo fica com cãibras crônicas quando forçada a escrever por horas consecutivas. Tenho que dizer que existe a opção de digitar no exame, mas o programinha de processamento de texto é enlouquecedoramente (mas compreensivelmente) restritivo em funcionalidades, além do que, sem autocorreção, meus pasos ficam bme dscudados.

Tenho ainda mais um dia oficial de curso, na próxima sexta-feira, com uma última simulação de prova prática e os últimos pedidos dos condenados. Também dá pra ter esperanças por várias avaliações de outros ensaios escritos nos próximos 36 dias. Eles ainda estão flutuando tentadoramente em torno da faixa de corte de 65% entre a aprovação e a reprovação. Eu honestamente não sei quais são as minhas chances. Minha confiança está amarrada na ponta de uma corda de bungeejump.

O próximo fascículo deste diário será de pequenas atualizações durante a semana de exames. Então, até lá, DMS!

hemmingSaiba mais sobre Richard Hemming, leia seus artigos e acompanhe seu diário em http://jancisrobinson.com.

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