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Vida após o Exame do MW: Uma revisão dos meus últimos 4 Anos, por Nova Cadamatre AIWS

Nova Cadamatre AIWS estudou Horticultura até se apaixonar pelas videiras e, por conseqüência, pelo vinho. Cursou Viticultura e Enologia na Universidade de Cornell antes de se mudar para a Califórnia para trabalhar para um dos maiores conglomerados vinícolas do mundo, a Constellation Wines, para quem produziu e produz várias linhas de vinhos. Obteve o Diploma do WSET em 2010 e deu início em seguida ao programa de formação do Institute of Masters of Wine. Neste artigo, que Nova gentilmente permitiu ser traduzido e republicado, ela faz uma retrospectiva dos últimos anos e descreve os exames que acaba de completar.

Nova, nos vinhedos de onde nascem seus vinhos.

Há três semanas eu era uma dos 98 estudantes que tentavam superar o rigoroso exame do Instituto dos Masters of Wine. As questões dos exames estão publicadas em detalhe aqui. No entanto, ao contrário da maioria dos estudantes (em Napa, pelo menos), eu estava fazendo os exames pelo que seria minha última tentativa.

Já analisei os possíveis resultados em detalhe num post anterior mas, em resumo: ou eu sou reprovada nas duas partes de novo, ou passo uma ou a outra, ou passo as duas.  Naturalmente, estou esperançosa por passar nas duas, mas só o tempo irá dizer. Acho que poucas pessoas fora do Programa realmente entendem o nível de dedicação e comprometimento necessário para até mesmo tentar fazer o exame, que dizer de passar nas provas. Me lembrei disso enquanto lia os comentários decorrentes de um artigo publicado no blog do Dr. Vino.

Parece haver grande confusão sobre o propósito da parte de degustação do exame, em especial. O “Exame Prático” (como é chamado) não é um jogo de salão em que as pessoas têm que dar nome ao vinho, safra, variedade e produtor, mas um exercício de dedução lógica baseada no que se está provando na taça e nas dicas dadas pela questão do exame em si.

Um exemplo disso: um formato de questão de prova particularmente popular no passado foi o de quatro vinhos em um “flight”, produzidos com a mesma variedade, mas de quatro países diferentes. Inicialmente isto poderia querer dizer qualquer número de potenciais variedades e no entanto os estudantes são desencorajados a sair procurando por “zebras voadoras”. Portanto, enquanto Gruner Veltliner possa ser encontrada crescendo em quatro diferentes países, é muito improvável que você esteja lidando com a Gruner nesta questão. Se o exame for o “Practical Paper 1”, o prova de variedades brancas, há uma boa chance de que a uva seja Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc, Chenin Blanc, ou Pinot Gris, já que estas são as variedades mais usadas internacionalmente e, a propósito, são as variedades que mais apareceram nos últimos 13 anos de exames.

Como eu sei disso?

Sala pronta para a prova prática de 2012, em Londres. Foto do IMW

Como qualquer bom estudante do MW, eu analisei com muito cuidado os exames dos últimos 13 anos, é claro! Eles estão disponíveis no site do IMW, na seção dedicada aos estudantes e são realmente como maná dos céus para pessoas interessadas o suficiente para dedicar tempo e conhecê-los.

No entanto, o exame não é uma coisa fixa e mudanças podem acontecer no seu formato a cada ano. Imagine a minha surpresa quando o “Theory Paper 4” deste ano, sobre “Questões Contemporâneas”, após 4 anos no molde “escolha 2 de 5 questões” voltou ao formato “menu pré-fixado” de 2005-2007 (escolha uma questão da Seção A e uma da Seção B), similar ao resto do exame (os “Theory Papers” 1 a 3 requerem duas questões da Seção B).

Esse formato só veio a existir em 2005, enquanto antes disso havia uma questão compulsória e então quatro ou cinco opções para os ensaios adicionais. Pessoalmente, eu gostei dos formatos de 2008 a 2011 mas, não sendo uma examinadora, não tenho nenhum controle sobre isso. Além disso, já que não passei minhas tentativas de 2010 e 2011, talvez esta pequena mudança possa trazer melhores resultados.

Para mim, parte da diversão dos exames (sim, eu sei, sou louca de pensar que há qualquer nível de diversão) é ver como os examinadores conseguem nunca perguntar a mesma coisa duas vezes, mas cobrir o mesmo material de todo jeito. Vejam as seguintes duas questões do “Paper 2”, por exemplo:

Em ordem de prioridade, quais procedimentos de certificação de qualidade um produtor deveria executar para evitar vinhos contaminados ou defeituosos? (Paper 2, 2011)

Como Gerente de Certificação de Qualidade de uma operação de engarrafamento sob demanda, que ações você tomaria se fosse encontrada contaminação microbiótica em amostras de rotina retiradas da linha de engarrafamento? (Paper 2, 2009)

Ambas cobrem Controle de Qualidade mas cada questão precisa ser respondida de forma bastante diferente. A primeira pede por uma ordem de prioridade de procedimentos de CQ enquanto a segunda pede por ações que serão tomandas uma vez que a contaminação for encontrada.

Se alguém tiver escrito um ensaio como prática usando a questão de 2009 e então respondido a questão de 2011 da mesma maneira, provavelmente iria ser reprovado. Não por falta de conhecimento sobre CQ, mas porque não deu a resposta para a situação em questão. Este é um tema comum nos relatórios dos examinadores, que é liberado após o anúncio dos resultados e descreve as falhas comuns e o que os examinadores estavam esperando ver nas respostas para cada questão. Os relatórios são outro recurso para o estudante do MW e eu acho que posso dizer com segurança que qualquer estudante que não os lê está se preparando para a reprovação.

Agora, após quatro anos (seis, se contarmos os programas do WSET) de todo o meu tempo livre sendo gasto com estudo, degustação, análise e compilação de informação num esforço para “dominar” mentalmente a indústria do vinho, eu me encontro com alguma folga. É tempo que tenho certeza virá a um fim repentino e rápido por volta da metade de Outubro, para quando meu marido e eu estamos esperando nosso primeiro filho. Sei que nunca mencionei isto, mas sim, acabo de fazer os exames do MW com cinco meses de gravidez!

Isto com certeza adicionou uma nova dimensão de desafio à coisa toda, como se não fosse desafiador o suficiente.  Independente do resultado desse exame, estou feliz. Estou feliz com o nível de conhecimento que atingi e as habilidade que desenvolvi durante o programa para constantemente buscar novos conhecimentos, o que sei que continuarei fazendo muito depois que o estresse dos exames tiver sido esquecido.

Estou feliz por ter conhecido todas as pessoas maravilhosas que estão no programa ou envolvidas no mercado do vinho de alguma maneira. Sou muito abençoada por ter recebido oportunidades de viajar e falar com alguns dos maiores experts do mercado em todo o mundo. Acima de tudo, estou feliz por não ter desistido, nunca, independente do quão deprimente e desafiador possa ter sido.

Sempre fui muito séria sobre obter a certificação de MW e sei que mesmo se falho esta terceira vez, tentei meu melhor, estudei duramente e trabalhei sem me cansar em direção a esse objetivo. Isto é tudo o que se pode esperar de qualquer um e me dá paz para encerrar esse capítulo em minha vida e seguir em frente, seja pelo restante do programa ou não. Estou animada para ver o que a próxima fase da vida traz com uma distinção mais pessoal… Mãe.

Nova Cadamatre

Obrigado, Nova, pelo artigo e pelas dicas importantes sobre os estudos. Boa sorte com os exames e a nova fase da vida!

Saiba mais sobre Nova Cadamatre e entre em contato com ela através do site:
http://www.novacadamatre.com

 

 

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